Redline08_Bordering on Us

International Meeting of Contemporary Art – Community, Identity and Representation

02. REDline’08_Bordering on Us

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A edição de este ano de REDline é enquadrada pelas ideias de comunidade, identidade e representação. Com um foco particular nos conceitos de arte pública, Bordering on Us é um projecto que ambiciona produzir uma discussão sobre as estratégias da arte na ocupação e utilização do espaço público e como se relaciona com o transeunte. Pretendemos também estender o debate às formas como a arte pública é apropriada pelo poder (económico, político, etc.) em processos de definição cultural e legitimação de narrativas colectivas. Com este projecto pretendemos também lançar o convite para uma discussão sobre as formas como a criação artística está presente nos processos contemporâneos de representação de identidade, sejam eles promovidos por indivíduos, comunidades, governos ou instituições privadas. Sentimos que o conceito de Esfera Pública necessita hoje de ser redefinido e reinventado, estendendo-o a novos territórios, criados pelas mais recentes inovações tecnológicas e transformações sociais.

Foi esta a ideia à qual tentamos conformar o grupo que aqui apresentamos. Porque aqui não existe, de facto, um trabalho de curadoria e este esforço foi limitado aos conteúdos da proposta que apresentamos aos nossos parceiros, o resultado final aqui apresentado é heterogéneo e diverso. Num grupo transnacional e transgeracional de 24 artistas, as interpretações do tema foram múltiplas e contraditórias. Movendo-se dentro do campo conceptual de um assunto com óbvias implicações políticas, a exposição que aqui apresentamos não poderia ser apresentada como campo aberto à discussão e debate se exigisse, como ponto de partida, anunciar-se coerente entre os discursos que contém. O Espaço Público é disputado por todos os grupos e por todos os indivíduos. Em democracia, anunciá-lo e demarcá-lo é estabelecer um palco onde todos podem participar, independentemente do valor que defendam e da pertinência que seja vista por outros nessa intervenção. Sob o perigo do totalitarismo e do ataque à diversidade, convém evitar uma filtragem que gratifique as nossas expectativas. Sob a égide de valores universais, na construção utópica da cidade convém reservar espaço para o debate sobre o valor e a universalidade, nunca entendendo o que quer que seja como definitivo.

Produzida no curtíssimo intervalo dos últimos três meses, esta exposição não chega a concretizar o cerne das nossas intenções. Esperamos que agora, durante o tempo em que estiver aberta ao público e através do desenrolar do programa que foi estabelecido, se criem ligações e dinâmicas que abram progressivamente o debate sobre as questões artísticas, políticas e socio-económicas que aqui fazemos evidentes. Com a acção de sair do espaço protegido da exposição de arte, e provocar a comunidade no lugar real dos seus percursos, é nosso objectivo animar a discussão num terreno do qual todos nos deveríamos sentir proprietários, mas que hoje falha muitas vezes nesta relação por ter sido apropriado por um sistema de regras pouco transparente e colonizado por iconografias e estruturas simbólicas que entendemos intimamente como agressivas.

De forma a cumprirmos estes propósitos, asseguramos um número limitado de residências artísticas que permitiram alguma produção específica no contexto da cidade do Porto. Lançamos também uma oficina dirigida por uma dupla de criadores convidados (Porto_Comunidade) onde abrimos o debate sobre os temas propostos. Entre estes dois eixos e os trabalhos que agora apresentamos, esperamos criar um ciclo que dinamize uma discussão em torno da ideia de um Porto que há anos vive a obsessão da revitalização urbana mas parece lento a entender que a vida da cidade nasce no fórum e das relações que os seus habitantes estabelecem no domínio do espaço público.

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