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International Meeting of Contemporary Art – Community, Identity and Representation

Ângelo Ferreira de Sousa e Carla Cruz

O trabalho apresentado por Ângelo Ferreira de Sousa e Carla Cruz (Portugal), Livro das Passagens, pode considerar-se a continuação dos seus trabalhos Praça do Anjo e Praça do Anjo II. Reflexão sobre a cidade, vítima de políticas urbanísticas dependentes de interesses económicos que raramente são pensados a longo prazo e nunca contemplam o interesse público, Livro da Passagens usa as passagens comerciais abandonadas ou em semi-ruína como suporte para a montagem de um discurso irónico e fictício sobre a nossa realidade urbana. A tradição das passagens comerciais – ruas cobertas por estruturas de ferro e vidro – começou em Paris a inícios do século XIX. Esta pragmatização comercial de um espaço público fascinou Walter Benjamin que as analisou no seu fragmentário e inacabado “Livro das Passagens” (1927-40). Nas transparências do exterior/ interior que caracterizam estes novos espaços de culto Benjamin intuiu uma génese da modernidade. O Porto possui inúmeros espaços com estas características. Na sua maioria foram construídos nos anos 70 ou 80 e, longe do charme parisiense, são retratos de uma modernidade tentada e falhada. O seu estado actual é díspar, encontram-se em ruína total, sobrevivem como fantasmas ou, em plena floração, esperam a inevitável decadência.

Angelo Ferreira de Sousa and Carla Cruz (Portugal), present Livro das Passagens (Passagenwerk).A reflection on a city victim of urban policies that are rarely though as long a term strategy and ever fail to consider the public interest, Livro das Passagens makes use of the space and architectonic configuration of abandoned commercial galleries as a support for the construction of an ironic speech on our urban reality. The tradition of commercial galleries – streets covered by glass and iron structures – began in Paris in the early nineteenth century. This commercial occupation of public space fascinated Walter Benjamin, who analysed the phenomena is his fragmentary and incomplete work Passagenwerk (1927-40). In the transparent relations between the interior and the exterior that characterize these new spaces of worship, Benjamin felt the genesis of modernity. Porto has numerous areas with these characteristics. Most were built in the 70s or 80s and, far from the Parisian charm, they are portraits of a failed modernity and their current status varies from total ruin to full bloom, but expecting the inevitable decay.

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